Você sabe o que é Esclerose Múltipla?

Um dos protagonistas de “A Regra do Jogo”, novela de João Emanuel Carneiro, Romero Rômulo, personagem dúbio de Alexandre Nero que oscila entre o bem e o mal, logo no início da novela sofre com visão turva e desmaio e é levado a um hospital, onde, ao fim de uma série de exames, um médico dá o diagnóstico: “Tudo leva a concluir que você tem esclerose múltipla.” Mas, afinal, o que é essa doença que na maioria dos casos chega de repente e sem alarde?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune ainda sem cura que acomete 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, 30 mil só no Brasil. Seria a mesma doença que sofreria a candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, segundo publicou o tabloide The National Enquirer.

Os primeiros sinais podem variar de uma pessoa para outra. Pode haver um formigamento na perna, uma dormência no braço, um leve tremor nas mãos, fraqueza ao segurar um copo, dificuldade para falar, caminhar ou escrever. Às vezes, surgem sintomas que parecem apontar em outra direção, como urgência urinária – aquela sensação de que não vai dar tempo de chegar ao banheiro – e intestino preso.

Os sintomas desaparecem num período entre dois dias e duas semanas. Você pensa que se trata de estresse, falta de sono ou um mal jeito qualquer. Os episódios vão se repetindo até que um sintoma mais intenso, como a paralisia de parte do corpo ou a perda da visão, faz soar o alarme.

A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que fatores genéticos e de ambiente podem determinar o aparecimento da doença. Um dos maiores problemas é que os sintomas são facilmente confundidos com os de outros males, e o diagnóstico precoce é extremamente importante para que possa ser controlado.

Exames

Por ser essa doença com sintomas comuns a outras patologias, nem sempre o diagnóstico é fácil. O importante é procurar um neurologista assim que surgir algum sintoma característico e que dure mais de 24 horas. Além do histórico e de exames clínicos, a ressonância magnética do crânio e da medula e exame do liquor são fundamentais para um diagnóstico assertivo.

Tratamentos

Embora ainda não haja cura para a esclerose múltipla, existem tratamentos que diminuem a ocorrência dos surtos e reduzem sua gravidade, assim como reduzem o grau de incapacidade, melhorando a qualidade de vida dos pacientes que convivem com a doença. Os corticosteroides são úteis para reduzir a intensidade dos surtos. Já os imunossupressores e imunomoduladores ajudam a espaçar os episódios de recorrência e o impacto negativo que provocam na vida dos portadores. Desde janeiro de 2015, o SUS oferece uma terapia oral para pacientes de esclerose múltipla. Até então, eram disponibilizados apenas tratamentos injetáveis na rede pública.

Cláudia Rodrigues

Foi pensando tratar-se de um infarto por conta do estresse do trabalho que a atriz Cláudia Rodrigues foi parar no hospital em 2000. Ela sentiu que a mão ficou dormente no meio da apresentação de uma peça e, com os exames, a surpresa: ela estava com esclerose múltipla. Após o diagnóstico, Cláudia precisou sair do seriado global “A Diarista”, no qual fazia sucesso como a divertida doméstica Marinete, porque enfrentava dificuldades para falar e para andar. Foi aí que a doença acabou se tornando conhecida do grande público.

Ser obrigada a deixar de atuar levou a atriz à depressão e ao isolamento. Dois anos após a interrupção do seriado e de um tratamento com remédios, fonoaudiologia e fisioterapia, Cláudia hoje consegue controlar os sintomas e recebeu liberação médica para trabalhar.

Mais mulheres

“A esclerose múltipla é até quatro vezes mais frequente em mulheres. Afeta o sistema nervoso devido à destruição das bainhas de mielina, que fazem parte da célula nervosa”, diz Beny Schmidt, professorde Patologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo.

Atinge mais dos 20 aos 40

Ao contrário do que se pensa, a esclerose múltipla é uma doença que afeta pessoas jovens, na faixa dos 20 aos 40 anos, momento do auge da vida produtiva. Por esse motivo, resulta em impacto pessoal, social e econômico considerável. A doença interfere na capacidade de realização de atividades comuns do dia a dia, já que a fadiga e a perda da coordenação motora, comuns à doença, estão significativamente correlacionadas com ansiedade, depressão e dificuldade de mobilidade. Alguns pacientes também apresentam diminuição na cognição e aumento da ocorrência de doenças mentais, fatores que interferem na realização das atividades profissionais e na qualidade de vida.

“A doença acomete pessoas jovens, cheias de planos, que só estão no início da vida. Ela é crônica, imprevisível e não tem cura, e os portadores sentem como se um muro tivesse sido colocado no meio de seu caminho”, diz a neurologista Elizabeth Regina Comini Frota, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

“Com o conhecimento e o entendimento da esclerose múltipla, pacientes, médicos e familiares podem ultrapassar esse obstáculo, continuando a vida da melhor forma possível e convivendo com a doença”, afirma. “O preconceito é a pior parte da doença. Muitas pessoas produtivas e competentes estão trabalhando normalmente, mas tentam escondê-la, com medo de serem consideradas incapazes”, completa a neurologista.

Possíveis sintomas:

Alterações fonoaudiológicas – ligadas à fala e deglutição
Fadiga – cansaço intenso e momentaneamente incapacitante para realização da atividade desejada
Transtornos cognitivos – muito relacionados ao comprometimento da memória
Transtornos emocionais – sintomas depressivos, ansiedade, transtorno de humor, irritabilidade
Problemas no trato urinário e intestinal – bexiga hiperativa, constipação intestinal, urgência fecal
Transtornos visuais – visão embaçada ou dupla
Problemas de equilíbrio e coordenação – perda de equilíbrio, fraqueza, vertigem, falta de coordenação
Espasticidade – rigidez excessiva de um membro

Fonte: Associação Brasileira de Esclerose Múltipla

Quatro formas da doença:

Esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR) – É a forma mais comum da doença, representando 85% dos diagnósticos. É caracterizada por surtos (sintomas clínicos que ocorrem em episódios) bem definidos, que duram dias ou semanas e depois desaparecem, com recuperação completa ou sequelas permanentes

Esclerose múltipla primária progressiva (EMPP) – Afeta apenas 10% dos pacientes e é caracterizada por início lento e piora constante dos sintomas. Há um acúmulo de déficits e incapacidades que podem se estabilizar ou continuar por meses e até anos

Esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP) – Começa com o curso da doença recorrente-remitente, seguido pelo desenvolvimento de uma incapacidade progressiva que muitas vezes inclui mais surtos e nenhum período de remissão (fase na qual não há atividade da doença)

Esclerose múltipla progressiva recorrente (EMPR) – Tipo mais raro da doença, acomete aproximadamente 5% dos pacientes. Caracteriza-se por declínio neurológico constante desde o início, com surtos agudos claros. Pode ou não haver recuperação após os surtos, mas a doença continua a progredir sem remissões.

Fonte: Diário da Região – São José do Rio Preto.

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